Governo Trump esconde vítimas trans de abuso sexual nas prisões, mas as destaca como agressoras
Dois novos relatórios do Departamento de Estatísticas de Justiça dos EUA sobre violência sexual em prisões e cadeias, baseados em pesquisas de 2023 e 2024, classificam a identidade dos detentos apenas como homem, mulher ou “outro”. Quem se identificou como “outro” relatou abuso sexual em taxas altíssimas: cerca de 32% nas prisões e 26% nas cadeias.
A palavra “transgênero” só aparece nas tabelas sobre a identidade dos agressores e em notas de metodologia. Os relatórios também mostram que pessoas lésbicas, gays e bissexuais sofrem violência sexual de outros detentos em taxas mais de sete vezes maiores que heterossexuais nas prisões.
Sara Kielly, mulher trans presa em Nova York, conta que foi estuprada várias vezes por detentos e guardas em presídios masculinos e que, ao denunciar, ouvia que a culpa era dela por “escolher” ser trans. Rodney Roussell, ex-detento na Louisiana, diz que lutava pela vida todos os dias e que o incentivo a denunciar abusos acabou com o novo governo.
Jonas Caballero, hoje advogado, lembra que foi agredido sexualmente dois meses após chegar a Rikers e ouviu de uma agente que “deveria ter gostado, porque é gay”. Para ele, a vulnerabilidade de pessoas LGBTQIA+ se multiplica quando quem deveria protegê-las compartilha os mesmos preconceitos. Os relatórios seguem a omissão de dados sobre pessoas trans já registrada no ano passado.
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Imagem: reprodução/them